Na minha terra ..há uma estrada tão larga.. que vai de uma berma à outra.. É uma estrada..por onde não se vai nem se volta.. Uma estrada feita apenas para desaparecermos..... MIA COUTO
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
SER POETA II
Ser poeta, é ser igual a toda a gente
Sonhar em versos como vê o mundo,
Mas descrevê-lo de forma diferente
Tendo o amor por sentir mais profundo.
.......
Colher no ar as palavras que passam,
Delas compor um ramo de ternura
Para quando os amantes se entrelaçam
Esquecerem das palavras as mais duras.
.......
É em metade dizer tudo inteiro
Cantar o céu como cantar a flor
Mesmo a mentir ser mais verdadeiro
.......
Chorando a cantar p'ra esconder a dor.
É ser leão com balir de cordeiro
É ser terno e doce ao falar de amor
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
SER POETA
Ser poeta é ser igual a toda a gente,
Sonhar o mundo todo à sua volta
Mas ao dizê-lo, de forma diferente,
Pôr nas palavras a sua revolta.
..
Apanhar as palavras que surgirem
Juntar dessas palavras as mais certas
E arremessar a quem elas servirem
Quais justiceiras e certeiras flechas.
..
É por metade dizer tudo inteiro
Chorar a cantar p'ra esconder a dor,
É mesmo a mentir ser mais verdadeiro
..
É cantar o mar, cantar uma flor,
É ser leão com balir de cordeiro
É ser terno e doce a falar de amor.
domingo, 17 de janeiro de 2010
ALVORECER
O dia adormeceu sereno
e o sol pela tarde
perdeu-se nos teus cabelos.
Mas pela noite,
com carinho,
fui desfazendo o novelo
e soltei-o,
para o sol,
de madrugada,
de madrugada,
ir de mansinho
acordar a alvorada
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
SOLIDARIEDADE COM O POVO DO HAITI
Pelos que morreram
Que descansem em paz
Pelos que sobreviveram
Que os povos se unam
para acabar com a miséria
no HAITI
SE EU PUDESSE
Se eu pudesse
cruzar este imenso vazio
que nos separa
e ir até ao horizonte
onde tu paras
encontraria o lugar onde nasceu
a tristeza
que ensombra o olhar teu.
Dessa tristeza,
se pudesse,
eu trocaria o véu
pelas estrelas encantadas,
por um arco-íris de alegria
e tudo isso eu daria
por uma noite acordada.
Roubava ao sol a magia
e às estrelas apagadas
o doce canto do dia
para acordar a alvorada.
E para que nada restasse
dessa tristeza nascida,
eu guardaria fechadas
mais que fechadas,
escondidas,
escondidas,
as palavras que falassem
das letras da solidão,
deixando só que cantassem,
que cantassem essa paixão,
tão grande e tão vivida
nas lembranças dos desejos
e das noites só perdidas
trocando suaves beijos.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
INVERNO
O Tempo
tropeçou no Inverno.
A neve, o frio e a chuva
que o Inverno tem dentro,
fazem o Tempo
demorar mais tempo a passar.
Até os pássaros
cantam calados
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
SEM TITULO
Atrás de um Tempo
outro Tempo
porque o Tempo
é infinito
mas só queria
que esse Tempo
fosse um Tempo
mais bonito.
Que fosse de Luz
esse Tempo
com outro Tempo
de Paz
um Tempo
sem sofrimento
não Tempo
de tanto faz
.......
.......
.......
Paz e Luz para continuarmos a nossa jornada
sábado, 19 de dezembro de 2009
SEM TITULO
Rasgo a cortina do tempo
e grito ao infinito
o teu nome
mas apenas o silêncio,
silêncio que magoa,
me responde.
É um silêncio que persiste
e uma dúvida me assalta.
Será que existes?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O RIO DA MINHA TERRA
Na minha terra há um rio
com uma ponte pousada
ponte que o corta ao meio
no seu curso atravessada.
no seu curso atravessada.
Quem foi que se atreveu
invadindo o seu seio
a perturbar os esponsais
que a natureza teceu
do meu rio com o oceano?
Quem rasgou o véu das águas
que desde o tempo primeiro,
que desde o tempo primeiro,
desde o inicio do mundo
quando nasceu o meu rio,
foi pela terra bordado
em tão diáfano manto
para que os dois se cobrissem
e a faz chorar tantas mágoas
como pérolas de pranto
pérolas que do céu caíssem
foi pela terra bordado
em tão diáfano manto
para que os dois se cobrissem
e a faz chorar tantas mágoas
como pérolas de pranto
pérolas que do céu caíssem
em fios escorridos das nuvens
e nos acordes de um Fado
chora os dois,
entrelaçados,
em seus orgasmos de espuma?
e nos acordes de um Fado
chora os dois,
entrelaçados,
em seus orgasmos de espuma?
Quem calou
quando cantavam
esse canto que se ouvia,
das Tágides que sussurravam
essa doce melodia?
das Tágides que sussurravam
essa doce melodia?
Quem do rio
da minha terra
lhe matou toda a poesia?
Quem?
terça-feira, 24 de novembro de 2009
AUSÊNCIA
Nos meus dias
és a ausência
dos momementos
que passo assim,
os meus dias vazios de ti.
E o ruído
do teu silêncio
é um grito enorme
ouvido dentro de mim
quando na ausência
segredo sozinho
ao teu nome
todos os desejos
calados
que guardo de ti.
E quando te imagino
no meu mais secreto
desejo
nesse sorriso proíbido
de um amor bandido,
rasgo meu peito que chora
e de joelhos, rendido
me pergunto.
Agora e agora?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
IMAGEM
Não me canso de beber-te
intensamente
na margem das palavras
mas ao beber-te assim
tão longamente
na paixão do que escreves
não me sacio de ti
nem por momentos breves
nas palavras que li.
Vejo-te tão transparente e leve
na franja das palavras
que o meu pensamento
faz surgir de ti
num mágico momento
translúcida imagem
cruzando fugidia
como irreal miragem
de tão fugaz instante
qual nuvem em céu correndo
num mundo mais distante.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
INSTANTE
Como o instante breve
em que o primeiro raio de sol
anuncia o dia que desperta
assim foi esse instante
de loucura
em que o amor em nós nasceu
Virgem,
puro, intacto,
sem mácula, constante
com o sabor exótico
do desconhecido distante
encontrado.
E assim em nós cresceu
como se na descoberta
desse momento procurado
estivesse todo o universo
condensado
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
SE EU SOUBESSE
Se eu soubesse
escrevia-te um poema
das canções que o mar canta
quando em espumas de desejos
às rochas se entrelaça
e num beijo
ternamente as abraça,
ou quando ao murmurar
grita seu canto no fragor da onda
ao rebentar.
Se eu soubesse
e as palavras se soltassem,
dizia-te como vi os rios chorar
não sei se de ciúme se de dor
por verem que o mar
quando se unem
não lhes fala de amor.
Se eu soubesse
poderia falar-te
das arvores, das montanhas
ou das fontes
onde pela alvorada a água dança,
ou dos pássaros
que rompendo o azul do céu
com os seus cantos,
rasgam do silêncio o véu
dos gritos afogados nas gargantas.
Se eu soubesse
e as palavras me chegassem,
falava-te do cheiro
da terra molhada,
da terra molhada,
desse cheiro que embriaga,
ou das flores quando nascem
ou do nascer do sol pela madrugada.
Se eu soubesse
escrevia-te um poema
e se valor tivesse
por momentos que fosse,
falava-te do beijo com sabor a sal e mel
do mar, da areia, dos desejos
do olhar quente e doce
ou de qualquer sentimento com sabor a fel
nascido passo a passo
nascido passo a passo
ou do meigo momento de ternura
dum abraço
mas falta-me o atrevimento da loucura
e não o faço.
Ah, se eu soubesse escrever
e colocar nas rimas que decoro
e colocar nas rimas que decoro
aquilo que soubesse dizer
ficava o mundo condensado no choro
duma criança ao nascer!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
CHORO MAGOADO
Na quietude do tempo
houve um grito
de silêncio que soou
e nesse momento
parou escutando
dentro de mim
até meu próprio pensamento.
Quem está chorando
assim,
que em mil pedaços
a alma me quebrou
e todos os ruídos
do silêncio
num choro tão
sentido
transformou?
Oh! Nesse horizonte não,
não chore,
deixe que o sol ria
e que nesse horizonte
violeta,
magoado,
seja o choro
em choro de alegria
transformado.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
BRASIL
Para mim és esse rio que te desflora
o povo de um país desencantado
povo que canta, dança, mas que chora
a terra seu país por Deus criado
Para mim és Ipanema ensolarada
és a verde Amazónia agredida
és Sampa acordando de madrugada
a esperança de mudar não conseguida
És crosta gretada Sertão sofrido
és verdesul nordeste és a Bahia
és Brasília , o futuro não cumprido,
sorriso, carnaval, triste alegria
és meu Cruzeiro do Sul muito querido
tu és o meu Brasil minha Utopia.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
PASSEANDO PELO INFINITO
A cortina da noite
escondia os nossos corpos
dos olhares indiscretos
e os lençóis de areia
da nossa cama
da nossa cama
eram debruados a espuma
das ondas que nos beijavam,
o manto de estrelas
que nos cobria
ocultava
do olhar invejoso da lua
o amor que em nós nascia.
Apenas nós,
perdidos,
estavamos ausentes
passeando que andávamos
pelo infinito.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O QUE TRAZIA O VENTO
Terno e sussurrante
o vento me envolveu
trazendo do lilás
o suave perfume
e nessa brisa leve
também o cheiro teu.
Nesse momento breve
em que o vento passou
deixando junto a mim
infinitos desejos
e dos teus quentes lábios
universos de beijos,
eu senti que o vento
em si também trazia
no tom de violeta
daquele azulvermelho
o calor de uma Chama
e eterna magia.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
TE DARÍA
Sí yo supiera hacerlo
te cantaría desde lejos
en mis versos
para que tú nombre
llegase al infinito
del más distante universo
y si yo pudiera hacerlo
te daría el cielo,
las estrellas y de ellas
la más brillante
te daría
como si fuera un diamante.
Te daría el silencio de las flores
en las perlas del rocío
y lo canto matinal
de los pájaros
en el agua del manantial
susurrante
y te daría tambien,
si pudiera,
susurrante
y te daría tambien,
si pudiera,
la música celestial
de los amantes.
POETA

Faz-me tua
Faz-me nua
Messalina
dos teus versos
Dá-me a lua
Estrela
Sol e mar
Seja
Meu vento
Desnudando
Deslizando
Carícias do meu ser
Serei teu porto seguro
Tua nau singrando
Suave
as ondas do meu mar
Meu doce Poeta
o tempo é breve
As flores já enfeitam
O nosso jardim
No ar
O perfume do bogarí
No leito
um jeito secreto
Na voz
Um doce segredo
Quer ouvir?
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
INTIMIDADES
DESEJO
sábado, 24 de outubro de 2009
AOS POUCOS
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
A POESIA, O POEMA E O AMOR
domingo, 18 de outubro de 2009
AUSÊNCIA

Sinto falta de ti
do teu sorriso
do brilho dos teus olhos
do esconde esconde
quando brincando
me acariciavas o rosto.
Sinto falta dos teus beijos
do sabor da tua boca
do veludo da tua pele
e até sinto falta
do franzir dos teus lábios
quando a sorrir me dizias;
Não!
Sem ti
os meus dias correm vazios
e o tempo
descreve lento o seu arco
no céu que me cobre.
Mas é alí,
à esquina da tarde,
onde o sol espera a lua
antes de cobrir a sua luz
com a cortina da noite,
para que o branco luar
inunde a terra
e não nas silenciosas horas
da madrugada,
que antecedem a alvorada,
que mais sinto a tua ausência
e a falta do calor do teu corpo.
Porque era ali,
à esquina da tarde,
era ali
que começava o nosso dia.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
TERRA CASTANHA

A terra castanha
desceu do morro
feita lama.
Com ela vinham as tábuas
castanhas,
outrora casas
plantadas no morro.
Com elas vinham também
os homens
as mulheres
as crianças
o fruto e as sementes
que haviam crescido no morro
com a terra castanha.
Misturados com a lama
vinham também os sonhos
das sementes
que não vingaram.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
SEM TITULO
domingo, 11 de outubro de 2009
UM SONHO COM NOME

Vi-te hoje,
entre as brumas de um sonho.
Hablábamos,
hablábamos como me hablabas
en las calles de Habana
que los dos paseamos,
hablabas, pero no te oía.
O silêncio do teu sorriso
ecoava no meu sonho
e o teu sorriso era o mesmo,
o mesmo sorriso
com que meigamente me olhavas
com esses teus lindos olhos
cor de café.
Sempre te disse que via neles
um por do sol de despedida
que me arrepiava.
Depois,
no meu sonho,
deixámos deslizar
as nossas mãos de areia seca
como naquele dia
em que nos despedimos
prometendo, os dois, voltar.
Mas nesse dia,
nesse dia em que nos deixamos,
nesse dia nos perdemos
para sempre.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
FANTASIA

Como um cavalo louco
percorri livremente
o campo de flores
do verde dos teus anos
e a dor da tua ausência
que só me causou danos
levou-me doidamente
à descrença do amor
na minha consciência.
O amor que tu negaste
mudandodo-me o viver
e o vazio que deixaste
no intimo do ser
tomou-me pouco a pouco
provocando a demência
que me obriga a correr
como um cavalo louco
o tempo para viver
no campo de flores
da minha existência
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
RECORDAÇÃO
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
POESIA ÉS TU
Porque te foste embora
e levaste contigo a água
das palavras
que me matava a sede
de poemas?
Poesia és tu,
e não poema!
Agora,
como posso contar-te
como te penso
quando ouço o cantar dos pássaros
pelo alvorecer,
ou como te espero
ansioso
ao pôr do sol
pelo entardecer,
para te dizer
a loucura que é esperar-te,
se não tenho as palavras
que me roubaste
com a água que levaste contigo?
Poesia és tu
e não poema!
Volta!
Vem matar a minha sede
de ti
poema,
se poesia és tu.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
CARTA A ISRAEL

Oh Israel!
Quando te respondemos
com pedras,
às armas dos soldados
que contra nós lançaste,
as pedras que atiramos
eram pequenos pedaços
daquele solo amado
que tu a nós roubaste.
Mas lembra-te,
oh Israel,
se porventura um dia
as pedras nos faltarem
na Palestina amada,
não penses,
oh Israel
vencida a Intifada.
Se nada mais houver
nesse impensado dia
para ser arremessado,
se as nossas mãos vazias,
da guerra calejadas,
no nosso chão sagrado
não encontrarem nada
para contra ti lançar,
estremece, oh Israel.
Cortaremos as mãos
para te atirar.
MOMENTOS

Por momentos
todos somos iguais.
Dos momentos já cansados,
dos dias e das noites que vivemos,
sem sol sem estrelas
sem a magia do luar
e sem o doce ruído do silêncio,
na fuga da essência do amar,
nesse tempo já esquecido
que perdemos,
deixamos que crescesse
a mentira
na loucura da paixão
em nós nascida
e no calor das palavras
que dissemos,
palavras não sentidas
e sempre iguais,
confundimos sentimentos
e trocamos tanta vida
por momentos
tão banais
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